Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve diminuir o ritmo de viagens nacionais, com exceção das já previstas, e se reunir com senadores e deputados federais após o feriado de Corpus Christi, dizem ministros do governo. A medida ocorre após as críticas da falta de articulação política do Executivo junto ao Legislativo e em meio à vontade de congressistas por mais liberação de emendas.
Depois de um ritmo acelerado de viagens nacionais e internacionais, Lula deve diminuir o nível dos passeios, com exceção de agendas já previstas. O presidente cumpre agenda, nesta terça-feira (6), em Luís Eduardo Magalhães (BA) e Recife (PE). Na quarta-feira (7), os compromissos se darão na capital pernambucana mais uma vez e em Paulista (PE). Há ainda a possibilidade de o chefe do Executivo passar o feriado de Corpus Christi em Pernambuco ou na Bahia.
Após a agenda, na semana dos dias 12 a 16, Lula deve reduzir o ritmo de viagens e se concentrar em “arrumar a casa”, nas palavras de um ministro do governo. A agenda, segundo essa fonte, deve contar com reuniões com parlamentares de diversos partidos e bancadas. O governo vem sendo criticado pela falta de articulação política, inclusive, com recados públicos do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL).
“Há uma insatisfação generalizada dos deputados com a falta de articulação do governo”, disse Lira recentemente. “Daqui para a frente o governo tem que andar com as próprias pernas, e não haverá nenhum tipo de sacrifício dos parlamentares. O governo sabe e tem consciência de que a acomodação política não está feita e não tem base consolidada”, afirmou.
Lira e Lula conversaram ao menos três vezes sobre a questão. A última reunião entre os presidentes dos dois Poderes ocorreu na manhã desta segunda-feira (5). O alagoano disse em entrevista que, com a presença do petista na articulação política, é possível ter uma construção mais sólida na base do governo no Congresso Nacional.
Nessa segunda-feira (5), havia a expectativa de uma reunião separada entre Lula e os líderes partidários da Câmara dos Deputados e do Senado. No entanto, o governo cancelou o encontro com o primeiro grupo e se reuniu apenas com senadores. Participaram Jaques Wagner (PT-BA), Randolfe Rodrigues (sem partido-AP), Otto Alencar (PSD-BA), Fabiano Contarato (PT-ES), Jorge Kajuru (PSB-GO), Renan Calheiros (MDB-AL), Izalci Lucas (PSDB-DF) e Marcelo Castro (MDB-PI).
A reunião foi composta pela maioria de senadores que compõem a base do governo na Casa. De acordo com Jaques Wagner, o encontro tinha o objetivo de Lula transmitir os agradecimentos pela aprovação da medida provisória que reestruturou a Esplanada dos Ministérios. Na prática, o texto, alterado pelo relatório feito pelo deputado relator, esvaziou o poder de pastas, como Meio Ambiente e Mudança e Clima e Povos Indígenas, pautas defendidas pelo petista durante a campanha eleitoral de 2022.
A situação de desconforto do Executivo é maior na Câmara dos Deputados do que no Senado, cuja presidência é exercida por Rodrigo Pacheco (PSD-MG), aliado do Palácio do Planalto. Apesar das críticas, neste primeiro momento Lula tem reforçado que não deve fazer uma reforma ministerial. No entanto, existem movimentos de pressão por troca de ministros, principalmente, os ligados à área de articulação política.
R7