O câncer de mama é o mais incidente em mulheres no mundo. Independentemente da percepção cultural, social e financeira, é ainda o doloroso ponto em comum que impacta e une tantas mulheres: o índice da doença que acomete a glândula é alto, atingindo inclusive as mais jovens. Neste mês consagrado como o marco da prevenção e diagnóstico do câncer de mama, a Prefeitura de Natal está intensificando a campanha do Outubro Rosa, abraçando desde ações educativas de prevenção ao rastreamento bairro a bairro da população feminina. As atividades, realizadas por meio da Secretaria Municipal de Saúde (SMS Natal), contam com parceria de entidades médicas do Rio Grande do Norte e da ONG Reviver, de forma itinerante e também em todas as UBS da capital.
“A saúde é uma das áreas prioritárias de nossa gestão. Temos um olhar atento para a questão do câncer de mama, por sabermos da sua alta incidência. A pandemia contribuiu também para a ampliação desses diagnósticos. Para melhorar o acesso ao tratamento e a descoberta precoce da doença, ampliamos nossos convênios com instituições parceiras para a realização de exames de mamografia e estamos investindo em ações educativas, não só durante o Outubro Rosa, mas ao longo do ano. Todo esse trabalho contribuiu para zerarmos as filas de pacientes em busca de mamografias em Natal. Vamos continuar trabalhando para que a gente obtenha sucesso nessa política efetiva de prevenção ao câncer”, relata o prefeito de Natal, Álvaro Dias.
A largada para o Outubro Rosa em Natal aconteceu no último sábado 8, durante o projeto “Saúde na Praça”, promovido no Parque Ney Aranha Marinho, na Zona Leste. O mutirão segue até o final do mês em vários pontos da capital. A unidade móvel de mamografia tem programação para este mês nos bairros do Tirol (10 a 14/10 na Câmara Municipal) e Felipe Camarão (17 a 21/10 na USF do KM 06). No local, são feitos exames de mamografia de mulheres entre 40 e 75 anos, de forma gratuita e sem burocracia.
Casos como o de dona Severina Juvêncio, que estava na fila para fazer o primeiro exame de sua vida, aos 72 anos. Ela conta que tinha dificuldades por causa de sua idade, já que estava fora da margem de idade prevista pelo Ministério da Saúde. “No posto do bairro, não fazia acima de 70 anos. Aqui criei coragem e vim”, conta ela.
Situação diferente é a de Ineide Tenório de Castro Gama. Aos 50 anos, ela faz mamografia anualmente, desde os 38. Ela conta que chegou a pagar para fazer o exame de mamografia e havia dificuldade de acesso. “Nos últimos anos, ficou mais fácil porque podemos fazer no posto de saúde ou no caminhão da Reviver”, diz.
O convênio, iniciado em 2017 e realizado entre a Prefeitura de Natal e a ONG Reviver, amplia o acesso ao exame. Para a chefe do Núcleo de Saúde da Mulher e do Homem em Natal, Ana Paula Magalhães, quem está na porta de entrada precisa buscar a resolutividade para encaminhar a mulher de forma rápida para o tratamento. “O ideal é que todas as mulheres acima de 40 façam exames anualmente”, afirma. Ela diz que não é preciso encaminhamento, apenas documento e cartão do SUS.
Cren integra campanha e qualifica mulheres vítimas de violência doméstica
Dentro da programação do Outubro Rosa, o Centro de Referência Mulher Cidadã Elisabeth Nasser (Cren) ofereceu na terça-feira passada 11 um ciclo de palestras sobre autocuidado para mulheres que sofreram violência doméstica e são atendidas pelas equipes de profissionais da instituição. Intitulado Dia D do autocuidado com a saúde, o evento contou com a participação de cerca de trinta mulheres que acompanharam a programação alusiva ao Outubro Rosa.
O Centro de Referência Mulher Cidadã Elisabeth Nasser (Cren) também fortalece seu perfil de inclusão social e, neste ano, já qualificou 108 mulheres. As qualificações acontecem por meio de uma parceria com a Secretaria Municipal de Trabalho e Assistência Social (Semtas). Os cursos são ofertados para que as mulheres possam entrar no mercado de trabalho imediatamente, tornando-a independente financeiramente.
Os cursos de qualificação foram implantados no Cren em 2021, e acontecem por períodos que geralmente duram em torno de quinze dias. A coordenadora do Cren, Adriana Beker, explica que a preferência são os cursos de artesanato e voltados para a área da beleza, para que a usuária do programa tenha uma renda imediata e consiga a independência financeira, mas o programa conta com outras áreas de qualificação.
Hoje, o Centro tem aproximadamente 300 mulheres sendo atendidas, e são vários os serviços ofertados, como psicólogos, assistência jurídica, além de contar com assistentes sociais. Para Isabela (nome fictício), de 31 anos, beneficiada desde setembro de 2020, o Cren é uma parte importante do processo, pois possui todo o suporte e apoio necessários.
“Eu sofri violência em 2020, fui encaminhada da Delegacia da Mulher para cá, para ter o apoio psicológico, e desde então vem me ajudando muito. É muito difícil e doloroso o processo, a violência não termina, e aqui nós temos todo o suporte”, conta. Isabella integra o programa de qualificação e faz o curso de cuidador de idoso, no IFRN.