O atirador que invadiu duas escolas em Aracruz, no Espírito Santo, nesta sexta-feira, alegou à Polícia Civil que planejava os ataques desde 2020. O delegado do caso, André Jaretta, também destacou já ter sido possível identificar, pelas análises preliminares, que o assassino é um “simpatizante de ideias nazistas”.
O superintendente de Polícia Regional Norte, delegado João Francisco Filho, detalhou ainda o passo a passo do adolescente depois do crime, onde ele almoçou e foi para a casa de praia com os pais antes de ser descoberto pela família.
Segundo João Filho, o garoto foi sozinho até um local em que pudesse tirar as fitas que cobriam as placas do carro, um Renault Duster dourado. Em seguida, voltou para o imóvel da família em Mar Azul, em Coqueiral de Aracruz, pegou todos os itens que usou para cometer os homicídios e os guardou no lugar que eles costumavam ficar, para não levantar suspeitas para os familiares.
]As informações foram reveladas, nesta segunda-feira, em coletiva de imprensa realizada pela Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Espírito Santo (Sesp) em Vitória, capital do estado.
Jaretta disse que, na versão apresentada às autoridades policiais, o jovem alegou não ter alvo específico e ter escolhido aleatoriamente em quem atirar. O investigador afirmou que o atirador, que era ex-aluno de uma das escolas atacadas, não estava estudando atualmente. Ele havia parado de frequentar o colégio no primeiro ano do ensino médio. Com isso, aproveitou a ida dos pais a um supermercado de um município vizinho para realizar os ataques.
— Os pais deixaram claro que ele fazia acompanhamento com psicóloga e psiquiatra, tomava medicação, mas não se abria muito — explicou o delegado à frente das investigações. De acordo com ele, o adolescente também confessou que manuseava o armamento do pai policial militar, um revolver calibre .38, sempre que ele e a mãe saíam de casa, para ganhar intimidade com o equipamento.
A Polícia Civil informou ainda que pai “tinha a cautela de manter a arma com um cadeado, ainda que ela não estivesse dentro de um cofre”. O armamento foi encontrado pelos policiais na parte superior de um armário, envolto em um pano branco.
— Ele as manuseava sempre que tinha a oportunidade de ficar sozinho. Nós não temos, até o momento, informações de que ele já tinha tido a oportunidade de realizar disparos. Isso demanda tempo. A polícia está atenta aos fatos e será rigorosa nas análises. Não seremos irresponsáveis, e atuaremos dentro da legalidade — complementou André Jaretta.
O Globo
