


ECONOMIA
Plano Diretor de Natal completa três anos com R$ 2,9 bi em valor de vendas

Considerada uma das principais políticas públicas urbanas discutidas na capital nos últimos anos, a sanção do Plano Diretor de Natal (PDN) já gera reflexos em várias áreas três anos após as novas regras entrarem em vigor, fato que aconteceu em 7 de março de 2022, data da sanção da lei. Neste período, a Secretaria de Meio Ambiente e Urbanismo (Semurb) emitiu 96 alvarás de licenciamento para empreendimentos, que juntos somam um Valor Geral de Vendas (VGV) de R$ 2,9 bilhões. Parte desses empreendimentos já estão em fase de construção, gerando emprego e renda na cidade.
Além dessas questões, especialistas e interlocutores do setor imobiliário e construção civil do Rio Grande do Norte ouvidos pela TRIBUNA DO NORTE apontam dois fatores estratégicos proporcionados pelo novo Plano Diretor de Natal: a geração de emprego, renda e impostos para a cidade e o retorno de imobiliárias e construtoras à capital. Entre os alvarás emitidos pela Semurb, a maioria deles são de projetos residenciais, mas o secretário Thiago Mesquita conta que há projetos de lojas, mini-shoppings e empreendimentos comerciais. A pasta desenvolveu um mapa interativo com acesso às prescrições urbanísticas da cidade.
Entre as principais mudanças na legislação estão a ampliação do potencial construtivo em diversas regiões, mudança de gabaritos e a possibilidade de verticalização em áreas que antes tinham restrições mais rígidas. Segundo a pasta, os bairros que até aqui foram mais impactados com as mudanças são Petrópolis, Tirol, Lagoa Nova, Capim Macio, Ponta Negra, Candelária, Pajuçara, Redinha, entre outros.
Segundo números do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon) e da Semurb, em março de 2022 a cidade de Natal empregava um total de 13 mil pessoas diretamente na construção civil. Em 2024 esse número saltou para 18.950, gerando um acréscimo de novos 5.950 empregos. Em média, cada empreendimento gera de 200 a 250 empregos.
“Criamos nas áreas adensáveis, que têm infraestrutura, um grande estímulo para o mercado de construções e estamos com 96 alvarás emitidos do novo PDN, com um investimento de quase R$ 3 bilhões de VGV de investimento privado. Isso está gerando de 6 a 8 mil empregos diretos e a perspectiva é gerar, quando todos estiverem em construção, 20 mil empregos diretos de carteira assinada. Empresas e construtoras que saíram de Natal e foram para o Ceará, Paraíba e Pernambuco voltaram para Natal e estão novamente investindo na cidade.
Natal voltou a ser rota de investidores, pois garantimos o aspecto socioambiental e estímulo ao aspecto socioeconômico”, exemplifica Thiago Mesquita, secretário de Meio Ambiente e Urbanismo de Natal.
Mesmo pensamento tem o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do RN (Sinduscon-RN), Sérgio Azevedo. Ele conta que outras duas grandes questões foram alvos de avanços nos últimos dois anos: a atualização do Código de Obras e a regulamentação das Áreas Especiais de Interesse Turístico e Paisagístico (AEITPs).
“O Plano Diretor, para funcionar em sua plenitude, precisaria ter as AEITPs e o Código de Obras; os dois foram sancionados, mas ainda faltam as ZPAs, que devem ser votadas com maior brevidade possível, porque somente após isso o PDN vai funcionar em sua plenitude para que ele já possa ser atualizado. Esperamos que a atualização siga deixando Natal cada vez mais moderna e agradável para seus habitantes”, comenta.
Em relação a impostos, por exemplo, um levantamento recente do Sinduscon, considerando apenas três empreendimentos de médio e alto padrão em construção, a perspectiva é de que o recolhimento de Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU) aumente em 22 vezes, passando dos atuais R$ 231,2 mil, na tributação pelos terrenos, para R$ 5,15 milhões ao final da construção.
Mesquita lembra ainda que a atualização do Plano Diretor de Natal, alvo de “campanha político-partidária organizada”, manteve a cidade sustentável, ao passo que propiciou avanços. Ele cita ainda que a Semurb vai avançar em políticas internas, como a estruturação de mais três secretarias-adjuntas na pasta, sendo uma delas com foco em mudanças e adaptações climáticas.
“O Plano não proporcionou para a cidade a falta de sustentabilidade, a falta de comprometimento de serviços ambientais, principalmente os paisagísticos e a parte de circulação de vento. Isso não aconteceu. Pelo contrário: mantivemos 30% de Natal como ZPAs, fizemos mapeamento de áreas de preservação permanente, estimulamos através da Lei de Transferência do Potencial Construtivo, a criação de futuras novas unidades de conservação, que são as Reservas Particulares de Patrimônio Naturais. Em Natal só temos três unidades, que é o Parque das Dunas, Parque da Cidade e um pedaço da APA Genipabu”, exemplifica Mesquita.
O titular da Semurb aponta ainda que outro exemplo de avanço de políticas públicas urbanísticas e ambientais na capital é o Plano Municipal de Adaptações e Mudanças Climáticas, lançado no final do ano passado na 5ª Conferência Nacional do Meio Ambiente. “Esse plano tem vários resultados relacionados à temperatura média, pluviometria, índice de qualidade do ar. Somente São Paulo, no Brasil, tem o que estamos começando a fazer, mas nenhum outro município tem”, acrescenta.
Ambiente de negócios
Na avaliação do presidente do Sindicato da Habitação do RN (Secovi-RN), Renato Gomes Netto, as mudanças no PDN geraram um ambiente jurídico mais seguro e previsível para investidores, gerando maior confiança para empreendimentos de médio e grande porte.
“O mercado imobiliário já percebe impactos positivos, principalmente pela retomada de projetos antes represados em função das limitações da legislação anterior. Notou-se também uma valorização de terrenos em áreas estratégicas, especialmente nos corredores viários e bairros com infraestrutura consolidada. Além disso, há uma expectativa crescente de que essas mudanças irão impulsionar não apenas o segmento residencial, mas também o comercial e de serviços, acompanhando a expansão urbana com mais qualidade e planejamento”, disse.
Segundo Ricardo Abreu, um dos diretores da Abreu Imóveis, o Plano Diretor foi um “divisor de águas” no mercado imobiliário em Natal. Ricardo Abreu conta que antes do PDN o mercado estava “estagnado”.
“Não vislumbro outro motivo para o mercado estar do jeito que está, com diversos lançamentos, muita procura não só pelos lançamentos mas também por áreas destinadas a novos empreendimentos. Só credito essas questões à retomada do mercado ao Plano Diretor, que mexeu na maneira de se ver os bairros. Foi um avanço grande para o mercado de Natal”, acrescenta.
Sinduscon: Natal volta à rota de lançamentos imobiliários
Em três anos de Plano Diretor, a cidade de Natal já registrou pelo menos 88 lançamentos de empreendimentos, de acordo com números do Sinduscon. Os dados reforçam o aquecimento do mercado imobiliário e apontam que as novas regras impulsionaram o segmento.
“O mesmo Plano Diretor que as afastou, trouxe essas empresas de volta uma vez que o PDN foi corrigido e modernizado. Isso é mais um indicador positivo que as empresas de fora também voltam a enxergar Natal como um ambiente de negócios favorável para seus investimentos e lançamentos”, reforça Sérgio Azevedo.
Em Natal, empresas de vários perfis apostaram em lançamentos desde a entrada em vigor das novas regras. A Dois A, por exemplo, lançou o Jardins do Potengi, em Petrópolis, empreendimento com 66 apartamentos e de uso misto, com área comercial inclusa. A expectativa de conclusão é em dezembro de 2026.
“As mudanças do PDN impactaram positivamente nos empreendedores locais e de fora do RN, no sentido de aportar investimentos que viabilizem o desenvolvimento imobiliário na nossa cidade, principalmente o habitacional. O setor imobiliário tem percebido mais movimentações de obras, de início e lançamentos, e já é perceptível até uma ausência de mão de obra para execução desses empreendimentos lançados. Temos percebido também a melhoria e sofisticação dos empreendimentos, trazendo tanto uma gentileza urbana para nossa cidade, que com a ajuda da iniciativa privada vamos conseguir esse desenvolvimento, basta ver o entorno da Praça Cívica, por exemplo”, explica Gustavo Pinheiro, diretor de Incorporações da Dois A.
Outra empresa que apostou em lançamentos foi a Moura Dubeux, com projetos em dois tipos de perfis distintos. Um deles é o Trairi 517, lançado recentemente no bairro de Petropólis, com 37 pavimentos e 72 apartamentos, tendo 2.525m² no total. Há ainda os projetos envolvendo a Mood, empresa ligada à MD, com foco no perfil de consumidor da classe média. Foram lançados dois projetos, sendo um em Capim Macio e outro em Candelária.
“O Plano Diretor trouxe um ambiente novo de negócios para o mercado imobiliário, que fez com que nós, que somos empresas e investidores do segmento, tivéssemos um outro olhar para Natal para colocarmos projetos mais antenados com o novo mercado, fazendo com que Natal tivesse uma oxigenação do portfólio de empreendimentos ”, cita Wescley Magalhães, gerente de Incorporação da Moura Dubeux no RN, acrescentando ainda que a Mood veio para Natal justamente após as mudanças no PDN.
Câmara de Natal vai iniciar discussão para unificar ZPAs
Tido como um dos projetos remanescentes para o funcionamento completo do novo Plano Diretor de Natal, a unificação das Zonas de Proteção Ambiental (ZPAs) numa só legislação será alvo de discussões nos próximos meses, segundo confirma o líder do prefeito na Câmara, o vereador Aldo Clemente (PSDB), que foi presidente da comissão especial na época das discussões do PDN.
“Na prática, a ideia é unificar as 10 ZPAs numa legislação única, com o intuito de padronizar as subzonas de uso restrito, conservação e preservação, melhorando as prescrições para áreas de uso restrito, por exemplo. O projeto chegou à Câmara em 2024, mas não teve discussão iniciada em virtude do período eleitoral.
Depois do PDN, atualizamos o Código de Obras, que já foi aprovado e sancionado, sendo um complemento do Plano. Agora, vamos aprovar as ZPAs em lei única para termos uma legislação unificada, mais fácil de entendimento e com regras que atendam a todas as ZPAs de forma equânime. É o próximo passo, e a determinação do prefeito é que tenhamos debates democráticos, mas que tenhamos um olhar para uma Natal desenvolvida”, explica.
Aldo também aponta que a revisão do PDN atingiu números satisfatórios nos três anos em vigor e projeta uma revisão já nos próximos anos.
“Nestes três anos saímos de um Plano Diretor arcaico para um desenvolvido, que possibilitou esse crescimento ordenado. Fico feliz de estarmos, três anos depois, comemorando esse ganho para Natal. Esperamos que esse PDN continue dando frutos: em 2027 já estaremos novamente debatendo uma nova atualização, porque está na lei de 2022. Vamos reabrir a discussão, até para avaliarmos e melhorarmos algo que não atendeu aos requisitos”, conclui.
Tribuna do Norte
ECONOMIA
Governo cumpre acordo e reduz carga tributária do Regime Atacadista para 6,1%

O Governo do Estado anunciou que vai retornar a carga de ICMS para 6,1% para o setor atacadista, inscritos no Regime Especial, após a entrada em vigor da nova alíquota modal do imposto de 20%, no Rio Grande do Norte. A decisão foi pauta da reunião, nesta sexta-feira (28), entre o secretário Estadual de Fazenda, Carlos Eduardo Xavier, e representantes da Fecomércio-RN e do Sindicato do Comércio Atacadista do RN (SINCAD). O decreto com a manutenção da carga tributária para o setor deverá ser publicado na edição do Diário Oficial do Estado deste sábado (29 ).
A medida do Governo busca a abertura de novos postos de trabalho nesse segmento e também fortalecer a competitividade dos atacadistas potiguares em relação aos dos demais estados do Nordeste.
O setor atacadista conta um regime especial com carga tributária diferenciada no RN em comparação com o regime normal. A alíquota para esse sistema foi atualizada para 7,1% em função da redução da modal para 18%, no ano passado. Com o decreto, os contribuintes desse segmento passarão a recolher, em vez de 7,1%, apenas 6,1%, o mesmo em vigência quando a modal era de 20%.
As empresas contempladas pelo benefício fiscal terão três meses para se adequar aos novos critérios introduzidos na legislação.
Tribuna do Norte
ECONOMIA
RN teve saldo de 2,4 mil novos empregos formais em fevereiro

O estado do Rio Grande do Norte registrou, em fevereiro, um saldo de 2.495 novos postos de trabalho com carteira assinada, resultado de 22,5 mil admissões e 20 mil desligamentos no mês. Os dados são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged) e foram divulgados nesta sexta-feira (28), pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
O resultado é positivo também para o primeiro bimestre do ano, período em que o estado soma 2,2 mil novas vagas formais. Já nos últimos 12 meses, o saldo registrado no Rio Grande do Norte é de 34,7 mil empregos. O estoque, ou seja, a quantidade total de pessoas formalizadas trabalhando no estado, chegou a 538,2 mil pessoas.
Em fevereiro, o Rio Grande do Norte apresentou desempenho positivo em três dos cinco grandes grupamentos de atividades econômicas. O destaque foi o setor de Serviços, que terminou o mês com um saldo de 2.367 vagas. Na sequência aparecem Construção (726) e Comércio (558). Os setores de Indústria e Agricultura apresentaram saldo negativo, com menos 101 e 1.055 vagas, respectivamente.
No estado, as novas vagas com carteira assinada foram ocupados, em sua maioria, por pessoas do sexo feminino (1.827). Pessoas com ensino médio completo foram as principais atendidas (2.249) com as vagas no Rio Grande do Norte. Jovens entre 18 e 24 anos são o grupo com maior saldo de vagas no estado: 1.627.
A capital Natal foi o município com o melhor saldo no estado em fevereiro, com 1,9 mil novos postos. A cidade tem hoje um estoque de 235 mil empregos formais. Na sequência dos municípios com melhores desempenhos no mês de fevereiro no estado aparecem Currais Novos (146), Macaíba (144), Parnamirim (132) e Caicó (120).
Tribuna do Norte
ECONOMIA
Dívida Pública sobe 3,3% em fevereiro e aproxima-se de R$ 7,5 trilhões

As emissões mensais recorde e o baixo volume de vencimentos de títulos fizeram a Dívida Pública Federal (DPF) subir em fevereiro. Segundo números divulgados nesta sexta-feira (28) pelo Tesouro Nacional, a DPF passou de R$ 7,253 trilhões em janeiro para R$ 7,492 trilhões no mês passado, alta de 3,3%.
Em junho do ano passado, o indicador superou pela primeira vez a barreira de R$ 7 trilhões. Mesmo com a alta em fevereiro, a DPF continua abaixo do previsto. De acordo com o Plano Anual de Financiamento (PAF), apresentado no início de fevereiro, o estoque da DPF deve encerrar 2025 entre R$ 8,1 trilhões e R$ 8,5 trilhões.
A Dívida Pública Mobiliária (em títulos) interna (DPMFi) subiu 0,23%, passando de R$ 6,951 trilhões em janeiro para R$ 7,178 trilhões em fevereiro. No mês passado, o Tesouro emitiu R$ 189,92 bilhões em títulos a mais do que resgatou, principalmente em papéis prefixados (com juros definidos antecipadamente) e atrelados à taxa Selic (juros básicos da economia). A alta foi reforçada pela apropriação de R$ 70,85 bilhões em juros.
Por meio da apropriação de juros, o governo reconhece, mês a mês, a correção dos juros que incide sobre os títulos e incorpora o valor ao estoque da dívida pública. Com a taxa Selic (juros básicos da economia) em 14,25% ao ano, a apropriação de juros pressiona o endividamento do governo.
No mês passado, o Tesouro emitiu R$ 145,39 bilhões em títulos da DPMFi, o maior volume mensal desde o início da série histórica, em novembro de 2006. Com o baixo volume de vencimentos em fevereiro, os resgates somaram R$ 33,976 bilhões, o volume mais baixo desde dezembro do ano passado.
A Dívida Pública Federal externa (DPFe) subiu 4,15%, passando de R$ 301,81 bilhões em janeiro para R$ 314,34 bilhões em fevereiro. Os principais fatores foram a alta de 1,35% do dólar e a emissão de US$ 2,5 bilhões em títulos no exterior, que aumentaram o endividamento do governo.
Colchão
Após forte queda em janeiro, o colchão da dívida pública (reserva financeira usada em momentos de turbulência ou de forte concentração de vencimentos) voltou a subir. Essa reserva passou de R$ 744 bilhões em janeiro para R$ 889 bilhões no mês passado. O principal motivo, segundo o Tesouro Nacional, foi a forte emissão líquida (emissões menos resgates) no mês passado.
Atualmente, o colchão cobre 6,66 meses de vencimentos da dívida pública. Nos próximos 12 meses, está previsto o vencimento de R$ 1,267 trilhão em títulos federais.
Composição
Apresar da forte emissão de títulos corrigidos pelos juros básicos e prefixados (com rendimento definido no momento da emissão), a composição da DPF mudou pouco. A proporção dos papéis atrelados à Selic caiu de 47,98% em janeiro para 47,77% em fevereiro. O PAF prevê que o indicador feche 2025 entre 48% e 52%. Esse papel está atraindo o interesse dos compradores por causa das recentes altas da taxa Selic.
A fatia dos papéis prefixados subiu de 20,15% em janeiro para 20,54% em fevereiro. O PAF prevê que o indicador feche 2025 entre 19% e 23%. Normalmente, os papéis prefixados indicam mais previsibilidade para a dívida pública, porque as taxas são definidas com antecedência. No entanto, em momentos de instabilidade no mercado financeiro, as emissões caem porque os investidores pedem juros muito altos, que comprometeriam a administração da dívida do governo.
A fatia de títulos corrigidos pela inflação na DPF caiu levemente, passando de 27,72% para 27,51%. O PAF prevê que os títulos vinculados à inflação encerrarão o ano entre 24% e 28%.
Composto por antigos títulos da dívida interna corrigidos em dólar e pela dívida externa, o peso do câmbio na dívida pública passou de 4,15% para 4,18%. A dívida pública vinculada ao câmbio está dentro dos limites estabelecidos pelo PAF para o fim de 2025, entre 3% e 7%.
Prazo
O prazo médio da DPF caiu de 4,11 para 4,08 anos. O Tesouro só fornece a estimativa em anos, não em meses. Esse é o intervalo médio que o governo leva para renovar (refinanciar) a dívida pública. Prazos maiores indicam mais confiança dos investidores na capacidade do governo de honrar os compromissos.
Detentores
As instituições financeiras seguem como principais detentoras da Dívida Pública Federal interna, com 29,8% de participação no estoque. Os fundos de pensão, com 24,1%, e os fundos de investimento, com 22,3%, aparecem em seguida na lista de detentores da dívida.
Mesmo com a redução da instabilidade no mercado externo, a participação dos não residentes (estrangeiros) caiu de 9,9% em janeiro para 9,7% em fevereiro. Em novembro, o percentual estava em 11,2% e tinha atingido o maior nível desde janeiro de 2018, quando a fatia dos estrangeiros na dívida pública estava em 11,2%. Os demais grupos somam 14,2% de participação.
Por meio da dívida pública, o governo pega dinheiro emprestado dos investidores para honrar compromissos financeiros. Em troca, compromete-se a devolver os recursos depois de alguns anos, com alguma correção, que pode seguir a taxa Selic (juros básicos da economia), a inflação, o dólar ou ser prefixada (definida com antecedência).
Agência Brasil
Tribuna do Norte
ECONOMIA
Rendimento mensal do trabalhador bate recorde e chega a R$ 3.378

O rendimento médio do trabalhador brasileiro chegou a R$ 3.378, o valor mais alto já registrado desde 2012, quando começou a série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (28), e mostram que, em um ano, a alta na renda dos trabalhadores foi de 3,6%. O recorde anterior era do trimestre encerrado em janeiro de 2025, com R$ 3.365.
Os valores são deflacionados, ou seja, levam em conta a inflação acumulada no período, fazendo com que a comparação reflita o real poder de compra do trabalhador.
A pesquisa do IBGE apura o comportamento no mercado de trabalho para pessoas com 14 anos ou mais e leva em conta todas as formas de ocupação, seja emprego com ou sem carteira assinada, temporário e por conta própria, por exemplo. O levantamento apontou que, no trimestre encerrado em fevereiro, a taxa de desemprego foi de 6,8%.
Formalidade aumenta renda
A coordenadora da pesquisa, Adriana Beringuy, frisa que parte do recorde do rendimento médio pode ser explicada pela redução da informalidade no mercado de trabalho.
A taxa de informalidade ─ trabalhadores que não têm garantidos direitos como férias, contribuição para a Previdência Social e 13º salário ─ teve “ligeira redução”, caindo a 38,1% da população ocupada. No trimestre terminado em novembro de 2024, estava em 38,7%.
“Se hoje, na minha população ocupada, eu tenho uma maior proporção de trabalhadores formais do que havia anteriormente, é esperado que essa média [de rendimento] aumente, dado que, de modo geral, os trabalhadores formais têm um rendimento maior que os não formais”, explica.
A pesquisadora contextualiza ainda que o número total de ocupados ficou em 102,7 milhões de pessoas, 1,2% menor que o do período terminado em novembro, sendo que o grupamento administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais foi responsável pela subtração de 468 mil ocupações.
Beringuy ressalta que esse número representa um comportamento sazonal da administração pública, que dispensa funcionários temporários no começo de ano. “Foi o segmento do setor público com os menores rendimentos, que são aqueles dos contratos temporários”, afirmou ela, se referindo a trabalhadores da área da educação fundamental. Dessa forma, com o corte de pessoas com menores salários, o rendimento médio tende a aumentar.
O reajuste do salário mínimo para R$ 1.518, no começo do ano, foi outro fator que contribuiu, em menor escala, para o recorde no rendimento do trabalhador.
Segundo Beringuy, o reajuste serve como referência de rendimento mesmo para quem não tem carteira assinada. “O salário mínimo é um balizador importante no mercado de trabalho, principalmente entre os trabalhadores informais”.
Massa de salários
Outro dado recorde apontado pelo IBGE é a massa salarial, que alcançou R$ 342 bilhões. O montante consiste na soma de todos os valores que os trabalhadores recebem e funciona como um motor da economia. Em um ano, esse total teve crescimento de 6,2% (mais R$ 20 bilhões).
Contribuição para a previdência
De acordo com o IBGE, o trimestre encerrado em fevereiro de 2025 teve 67,6 milhões de trabalhadores que contribuíam para a previdência social. Esse numero não inclui apenas trabalhador com carteira assinada. “Pode ter um trabalhador por conta própria que contribui para o instituto de previdência”, exemplifica Beringuy.
Esse contingente representa que 65,9% dos ocupados contribuíam para institutos de previdência, maior percentual desde o trimestre encerrado em julho de 2020 (66,1%).
“O recuo da informalidade e, consequentemente, o aumento da proporção do trabalho formal contribuiu para essa expansão de cobertura previdenciária”, explica a coordenadora do IBGE.
O ponto mais alto de contribuição para a previdência foi em junho de 2020 (66,5%).
Agência Brasil
Tribuna do Norte
ECONOMIA
Global Eggs: produtora de ovos brasileira compra empresa americana e cria gigante mundial

A brasileira Global Eggs, que pertence ao empresário Ricardo Faria, sócio da Granja Faria, anunciou a compra da americana Hillandale Farms por US$ 1,1 bilhão (cerca de R$ 6 bilhões). Com a aquisição, a empresa, que já é dona da espanhola Hevo, se torna a segunda maior produtora de ovos do mundo, atrás apenas da Cal-Maine Foods, também dos Estados Unidos.
Considerando dados do ano passado, o faturamento da Global Eggs e da Hillandale Farms chega a US$ 2 bilhões, com geração de caixa superior a US$ 500 milhões e um plantel de 41 milhões de aves. Com a crise do mercado americano de ovos causada pela gripe aviária, no entanto, os resultados tendem a ser bem maiores neste ano.
Além de Faria, o fundo de private equity (especializado na aquisição de participações em empresas) Economia Real II, do BTG Pactual, também se tornou sócio do negócio, com participação de 11% no capital da Global Eggs – o fundo do BTG pagou US$ 300 milhões por essa fatia.
O banco assessorou a compra ao lado do Rabobank, enquanto o Houlihan Lockey assessorou a parte vendedora, a família Bethel – a Hillandale Farms foi fundada em 1958 por Orlando Bethel e tem sede em Greensburg, no Estado da Pensilvânia (EUA).
Por trás da estratégia de criação de uma marca global, está a mudança no consumo de ovos em todo o mundo, segundo pessoas a par do tema. Antes visto como um produto mais voltado a consumidores de baixa renda, o insumo se tornou “mainstream” em diferentes classes sociais, entrando de vez no café da manhã de muitas famílias, que deixaram de lado pães e leite. Recentemente também ganhou nichos de mercado, como os ovos orgânicos, com selênio, gourmet, de galinhas criadas soltas.
Estratégia
Ao construir uma companhia global, a empresa pretende compartilhar expertises entre os diferentes mercados. Assim, da Europa poderá ser incorporado o conhecimento para o lançamento de produtos mais sofisticados e em embalagens menores. Do Brasil o nível de segurança alimentar e a eficiência na produtividade. Já dos Estados Unidos, a ideia é ter contato e espalhar o conhecimento em automação, engenharia de produção e distribuição sempre de acordo com profissionais do mercado.
Apesar de a Global Eggs ter feito um pedido de abertura de capital (IPO, na sigla em inglês) nos Estados Unidos, para avaliar uma possível oferta de ações, pessoas próximas ao negócio negam que esse seja o principal objetivo da companhia – que é ser a “melhor empresa do mundo”.
A injeção de capital, neste momento, foi feita de maneira privada, sem necessidade de fazer uma oferta pública para levantar recursos no mercado de capitais. Um eventual novo negócio poderia se dar de maneira semelhante. Essa discussão se dará quando necessário, dizem pessoas próximas da empresa. Atualmente, a Global Eggs não tem necessidade de recursos, com endividamento inferior a uma vez a geração de caixa.
As negociações entre Faria e a família Bethel aconteciam havia cerca de um ano. Com 89 anos de idade, Orland Bethel preferiu dividir o dinheiro entre seus herdeiros, e partiu em busca de um comprador. Segundo pessoas próximas à negociação, apesar de ter recebido outras ofertas, houve uma identificação recíproca entre Bethel e Faria. O empreendedor americano se veria mais jovem no brasileiro, que por sua vez teria dito ter encontrado um “pai” nos EUA. A ideia é que Bethel continue próximo à empresa.
Mercado
A gripe aviária, que encareceu os preços dos ovos nos EUA, teria tido impacto neutro na negociação. Isso porque, se por um lado aumenta o valor do produto (o ovo está entre os itens com maiores reajustes nos EUA), de outro representa uma ameaça ao plantel. Para pessoas próximas ao negócio, o objetivo da transação mirou o longo prazo.
Como esse mercado não é voltado a exportações, e, sim, bastante dependente da produção local, as consolidações tendem a continuar acontecendo, num momento já bastante aquecido. Em novembro, a Global Eggs pagou € 120 milhões pela Hevo, segunda maior produtora da Espanha. Em janeiro, a JBS adquiriu por R$ 1 9 bilhão a Mantiqueira, o que marcou a entrada da líder global de carnes no setor.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Estadão Conteúdo
Tribuna do Norte
ECONOMIA
Em 1 semana, novo consignado privado concede 76% do volume que antigo registrou em janeiro

Nos primeiros sete dias de concessão, o novo crédito consignado privado teve concessões equivalentes a 75,8% do volume emprestado pelos bancos nessa linha em janeiro através do modelo antigo. Além disso, já registrou 80% da concessão mensal média no consignado privado ao longo de 2024.
Entre a sexta-feira passada, 21, e a quinta, 27, foram R$ 1,28 bilhão em concessões, de acordo com o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Em janeiro, com o modelo antigo ainda em vigor, foram concedidos R$ 1,69 bilhão em operações de consignado privado, de acordo com o Banco Central.
Ao longo de 2024, a concessão mensal foi em média de R$ 1,602 bilhão. O volume foi consideravelmente maior nas linhas destinadas a aposentados e pensionistas do INSS, com R$ 8,6 bilhões; e a servidores públicos, em que foi de R$ 8,4 bilhões.
O novo consignado privado permite que os bancos façam ofertas de crédito a todos os trabalhadores com carteira assinada, porque as instituições passam a consultar os dados do eSocial, sistema do governo em que as empresas mantêm as informações sobre suas folhas de pagamento.
No modelo existente até então, as instituições só tinham acesso aos dados de funcionários de empresas com as quais haviam firmado convênios. Era um modelo que exigia um grande esforço comercial, o que aumentava os custos e restringia o acesso a esse crédito a trabalhadores de poucas empresas.
Com a mudança, o governo espera que cerca de 25 milhões de trabalhadores tenham acesso ao consignado privado. A expectativa também é de que as taxas sejam menores que as do crédito pessoal sem garantia, e a medida provisória que criou o novo programa estimula a troca de uma operação pela outra.
Estadão Conteúdo
Tribuna do Norte
ECONOMIA
Fiern estimula inovação, IA e liderança feminina com Procompi

Liderança feminina, gestão da inovação e uso da inteligência artificial (IA) nas vendas estão entre os focos dos projetos que serão executados nas micro e pequenas empresas industriais que aderirem, neste ano, ao Programa de Apoio à Competitividade da Micro e Pequena Empresa (Procompi) no Rio Grande do Norte. O Programa é uma iniciativa que promove a cooperação para superar desafios e estimular a inovação, a produtividade e o crescimento das MPEs em um contexto cada vez mais digital e sustentável. O Procompi tem a parceria da Confederação Nacional da Indústria (CNI), do Sebrae e, no RN, da Fiern.
De acordo com Kesiane Santana, responsável técnica na Unidade de Desenvolvimento Industrial da Fiern, há projetos, em 2025, voltados para setores estratégicos da indústria potiguar, além dos que abordam temas transversais para superar desafios comuns a diferentes segmentos industriais.
“O objetivo é trazer um diferencial competitivo, fortalecer o papel da liderança no sucesso do negócio e promover um ambiente mais inovador e sustentável para as empresas”, explica Kesiane Santana.
Os projetos setoriais estão direcionados à cadeia produtiva da indústria do leite e à confecção de bonelaria e vestuário. Já os projetos transversais, abertos a empresas de distintos segmentos, têm como foco três pilares principais: incentivo à liderança feminina, gestão da inovação e transformação digital com inteligência artificial.
Na área de transformação digital, o programa oferece capacitação prática e personalizada. As empresas participantes terão acesso a treinamento em inteligência artificial aplicada ao marketing digital, incluindo mentorias individuais e suporte por três meses.
No campo da inovação, as empresas receberão capacitação e apoio para implementar soluções inovadoras em suas operações, com a inteligência artificial como ferramenta estratégica.
Outro destaque é o projeto “Ela Faz a Indústria”, que busca capacitar lideranças femininas ao desenvolver competências e estimular o protagonismo das mulheres nas indústrias potiguares.
Resultados expressivos
“O Procompi se destaca por sua contribuição às micro e pequenas indústrias, permitindo acesso a ações de grande impacto com custos acessíveis”, afirma Ana Adalgisa, coordenadora executiva de Relações Institucionais e com o Mercado. Em 2024, o programa executou nove projetos no estado, promovendo ganhos em competitividade e sustentabilidade nos negócios, além de fortalecer o associativismo, um dos objetivos da Fiern.
Para a atual chamada, lançada em 2023 e com término previsto para dezembro de 2025, o Procompi prioriza temas voltados à transformação digital e à sustentabilidade, considerados essenciais para o futuro da indústria. “Estamos prontos para liderar esta transição, capacitando as MPEs para enfrentar os desafios da era digital e adotar práticas sustentáveis, mantendo a missão de fortalecer o setor industrial brasileiro”, conclui Santana.
Desde 2003, o Procompi atua no Rio Grande do Norte, participando de todas as edições do programa, realizado em parceria entre a CNI e o Sebrae. Até hoje, já alcançou 15 segmentos industriais no estado, impactando mais de 625 micro e pequenas empresas, com avanços em produtividade, competitividade e inovação.
Adesão
As empresas interessadas podem obter mais informações pelo e-mail [email protected], pelos telefones (84) 3204-6243 / 6256 ou acessando o link: https://forms.office.com/r/ztsyt1T87x.
Tribuna do Norte
ECONOMIA
RN já soma mais de 57 mil declarações do Imposto de Renda 2025, aponta Receita Federal

A Receita Federal divulgou, nesta sexta-feira (28), um novo balanço da entrega de declarações do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) 2025. Segundo o órgão, o Rio Grande do Norte já soma 57.451 declarações enviadas até as 10h da manhã. Os dados integram o total da 4ª Região Fiscal, que abrange também os estados de Alagoas, Pernambuco e Paraíba.
Ao todo, a 4ª Região Fiscal recebeu 301.226 declarações desde o início do prazo, em 17 de março. Pernambuco lidera a lista, com 146.409 documentos enviados, seguido da Paraíba (54.137), Rio Grande do Norte (57.451) e Alagoas (43.229).
Em todo o Brasil, a Receita Federal já contabiliza 4.676.632 declarações entregues. A expectativa é que até o encerramento do prazo, no dia 30 de maio, sejam enviadas 46,2 milhões de declarações do ano-calendário 2024.
A Receita alerta os contribuintes para não deixarem para a última hora. A entrega da declaração fora do prazo implica multa mínima de R$ 165,74, podendo chegar a até 20% do imposto devido. Quem recebeu rendimentos tributáveis acima de R$ 30.639,90 em 2024 está obrigado a declarar, entre outras situações específicas.
Tribuna do Norte
ECONOMIA
Lula discute acordo sobre carne bovina, aviação e Brics no Vietnã

Em viagem oficial ao Vietnã, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva falou nesta sexta-feira, 28, sobre a negociação para a venda de jatos da Embraer à estatal Vietnam Airlines e a abertura do mercado daquele país para a carne bovina brasileira. A declaração foi feita durante um encontro com o presidente do Vietnã, Luong Cuong, em Hanói, onde firmaram o Plano de Ação para Implementação da Parceria Estratégica, que abrange o período de 2025 a 2030, com a finalidade de fortalecer o comércio bilateral entre os dois países.
Lula também convidou o Vietnã para participar da cúpula do Brics no Brasil, no final deste ano, e destacou a intenção de um acordo comercial do Mercosul com Hanói. “A abertura do mercado vietnamita para a carne bovina brasileira atrairá investimentos de frigoríficos do Brasil para fazer do Vietnã uma plataforma de exportação do Sudeste Asiático”, disse Lula, em declaração à imprensa. O presidente brasileiro citou ainda um acordo de cooperação em educação, ciência e tecnologia, destacando que em breve as universidades brasileiras e vietnamitas poderão promover o intercâmbio entre professores e estudantes.
Além do Plano de Ação, o encontro foi marcado pela assinatura de dois acordos e dois memorandos. Os acordos abordam o exercício de atividade remunerada por parte de dependentes de missões diplomáticas, repartições consulares e missões permanentes junto a Organismos Internacionais, além da troca e proteção mútua de informações classificadas. Brasil e Vietnã também assinaram Memorando de Entendimento entre o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e o Ministério da Indústria e Comércio do Vietnã para cooperação comercial e industrial, e ainda um memorando em torno de parcerias ligadas ao futebol.
Além da reunião com o presidente do país asiático, a agenda de Lula foi marcada por encontros com os líderes dos outros três pilares do sistema político vietnamita: o primeiro-ministro, Pham Minh Chính; o presidente da Assembleia Nacional, Tran Thanh Man; e o secretário-geral do Partido Comunista, Tô Lâm. Ao final, o presidente brasileiro participa da recepção oficial oferecida pelo presidente Luong Cuong.
Fonte: Estadão Conteúdo
Tribuna do Norte
ECONOMIA
Dólar sobe para R$ 5,75 após imposição de tarifas de Trump

Em meio aos reflexos da sobretaxação em 25% das importações de veículos pelo governo de Donald Trump, o dólar voltou a ficar acima de R$ 5,75, em um dia negativo para moedas latino-americanas. Na contramão das bolsas norte-americanas, a bolsa brasileira subiu pelo terceiro dia seguido e atingiu o maior nível desde outubro.
O dólar comercial encerrou esta quinta-feira (27) vendido a R$ 5,752, com alta de R$ 0,019 (+0,34%). A cotação chegou a R$ 5,77 por volta das 10h20, operou próxima de R$ 5,73 na maior parte da tarde, mas acelerou perto do fim das negociações.
Mesmo com a alta dos últimos dois dias, a moeda norte-americana cai 2,77% em março. Em 2025, o recuo chega a 6,81%.
O mercado de ações teve um dia mais otimista. O índice Ibovespa, da B3, fechou aos 133.149 pontos, com alta de 0,47%. No maior nível desde 2 de outubro, o indicador foi puxado por ações de petroleiras, mineradoras e exportadoras de carne.
A bolsa brasileira foi na contramão do mercado de ações norte-americano. Após a imposição de tarifas de 25% sobre a importação de todos os veículos pelo governo Trump, as ações de montadoras de veículos caíram significativamente na bolsa de Nova York, empurrando para baixo as bolsas nos Estados Unidos.
A decisão de Trump impactou as moedas latino-americanas, que se desvalorizaram, na contramão das principais moedas do planeta. A expectativa de que a exportação de minério de ferro, aço e cobre, componentes usados nos veículos, caia influenciou as moedas de países exportadores de metais, como o Brasil.
No caso da bolsa de valores, fatores internos ajudaram a conter o pessimismo internacional. A divulgação de que a prévia da inflação oficial desacelerou em março beneficiou o mercado de ações brasileiro. Isso porque uma inflação abaixo do previsto pode fazer o Banco Central aumentar os juros menos que o esperado, estimulando o consumo.
Tribuna do Norte
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